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Suco de beterraba e ciclismo. Aumenta a Performance ou Mito?

Você sabia que a beterraba é usada como alimento complementar para esportistas? Mas muito se questiona sobre a eficácia dessa raiz. Estaria cientificamente embasada a sua ingestão com função suplementar ou isso não passa de propaganda e “modinha”?

Suco de beterraba para ciclista

Nas investigações sobre a produção muscular de energia, vê-se com frequência a citação do óxido nítrico (NO) no sangue. Quanto maior a presença de NO durante a prática do exercício, menor a quantidade de oxigênio demandada para a produção de energia, o que faz surgir mais eficiência nos músculos e, consequentemente, melhoria no desempenho do treino. Em outras palavras, é como se, com uma presença maior de óxido nítrico no sangue, você pudesse “usar melhor o oxigênio disponível”.

Algumas pesquisas observaram o comportamento do aminoácido L-arginina em tentativas de elevar a concentração de NO no sangue. Contudo, em treinos, não houve um efeito significativo devido ao fato de a conversão desse aminoácido em óxido nítrico se dar somente com muito oxigênio no sangue. Ora, uma vez que o O2 é extraído enquanto se produz energia para os exercícios, aquela conversão é comprometida.

Suco de beterraba para ciclista

Outras pesquisas apontaram que o nitrito (NO2) poderia se converter em óxido nítrico no sangue em momentos com baixos níveis de oxigênio. Para a prática esportiva, portanto, seria necessário um modo de elevar a concentração de NO2 no organismo.

Essa elevação poderia se dar diretamente com suplementação por meio de sais de nitrito; contudo, isso seria extremamente tóxico para o ser humano. Assim, pesquisadores buscaram formas indiretas de provocar o aumento desejado, só que de maneira segura. Em uma dessas buscas, percebeu-se que o nitrato (N03) tinha a capacidade de ser convertido em nitrito. Isso, porém, não se daria no sangue, mas sim na boca, pela ação das bactérias ali existentes.

Uma vez ingerido, o nitrato é absorvido majoritariamente no sangue, só que retorna à boca, secretado por glândulas de saliva. Nesse processo, surgem quantidades pequenas de nitrito, resultados da conversão pelas bactérias. Essas “porções” de N02 retornam ao sangue por reabsorção, elevando com segurança a concentração de nitrito na corrente sanguínea.

Sim, agora podemos falar da beterraba! Essa raiz é uma fonte natural de nitrato; aliás, é uma das mais saborosas, com quantidades satisfatórias para a elevação de NO3 – consequentemente, de NO2 também.

Suco de beterraba para ciclista

A quantidade de nitrato ideal para a elevação de nitrito no sangue pode ser alcançada com aproximadamente quinhentos mililitros de suco de beterraba. Mas deve-se considerar que não se pode usar “qualquer beterraba”, ou seja, não é garantido que a raiz que você comprar no supermercado ou na feira vá proporcionar o resultado esperado. Por que isso acontece? Porque existem fatores que influenciam fortemente na taxa de nitrato em vegetais e raízes em geral, como o local de plantio do alimento ou mesmo o tempo de colheita e o tipo de fertilizante utilizado no processo de produção.

Assim, com o objetivo de garantir uma concentração necessária de nitrato na ingestão do suco de beterraba, algumas empresas surgiram ofertando a bebida engarrafada.

As pesquisas que abordaram esses tópicos foram conduzidas e publicadas por meados dos anos de 2007 e 2009. Esses estudos foram realizados em atletas com baixos níveis de treinamento, cujos treinos podiam ser facilmente monitorados em laboratório, contudo possuíam baixa relação com o esporte intenso. Além disso, esses estudos, em sua maioria, não mediram o desempenho das atividades intrinsicamente, mas sim observaram a utilização de oxigênio pelo corpo, mostrando que a quantidade necessária desse gás nos treinos era reduzida com a ingestão do suco de beterraba. Tratava-se, assim, de inferências científicas sobre o benefício desse consumo, mas não exatamente da medição atlética de desempenho.

Mesmo com essas limitações, esses estudos acabaram por fomentar a publicidade e a comercialização dos sucos de beterraba.

Suco de beterraba para ciclista

Após esse momento, outras publicações foram realizadas sobre estudos que observaram melhorias de duração de tempo na prática de ciclismo, porém, ainda sem traduzir necessariamente a melhoria de desempenho consideradas as variáveis de distância e intensidade.

Um estudo de destaque foi a público em 2011. Atletas de média performance foram observados após ingerirem uma única dose de suco de beterraba antes de uma corrida. Tanto na corrida de quatro quilômetros quanto na de dezesseis, houve em torno de 2,7% de melhoria em desempenho em comparação à ingestão do tipo placebo do suco (quando de retira o nitrato da bebida). O que aconteceu foi uma liberação de energia maior com o consumo da mesma quantidade de oxigênio.

Outros estudos ainda foram publicados relacionando o desempenho ciclístico em longas distâncias com a ingestão de suco de beterraba. Nesses casos, os atletas observados eram de alta performance. Aqui, porém, os resultados não foram significativamente satisfatórios, considerando que a mudança de desempenho variou muito entre os participantes.

O que se observou foi que a melhoria de desempenho nos treinos se deu naqueles quem concentração de nitrito se elevou no sangue após a ingestão do suco de beterraba. Contudo, essa elevação não foi observada em todos. A especulação é de que atletas que treinam intensamente já apresentariam um nível elevado de NO2 sem suplementação.

Suco de beterraba para ciclista

Pesquisadores, assim, tem concluído que somente uma dose da bebida não produz efeitos significativos em atletas de alta performance. Especula-se, contudo, que a ingestão contínua do suco ou a suplementação com outras fontes mais pontes de nitrato – como o nitrato de sódio – possam provocar alteração de nitrito na corrente sanguínea. Mas essa informação ainda carece de comprovação científica.

O que se pode dizer, em conclusão, é que o suco de beterraba possivelmente tem a capacidade de gerar melhoria de desempenho para atletas específicos, mas isso não pode ser inferido como regra, sobretudo devido à característica não conclusiva dos estudos.

O que parece ser plausível é que atletas que costumam medir seus desempenhos monitorem o uso da bebida e sua relação com o próprio desempenho.

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Edu Costa

Pai, Marido e Ciclista amador, praticante de MTB e Gravel que adora competições e procura novas rotas e aventuras com a bike. Acredita no poder transformador do esporte e por isso compartilha experiências e informações. Escreve sobre o ciclismo Road Bike e Mountain Bike desde 2009 em seu primeiro projeto e agora é o fundador e editor do Mountain Bike Brasil

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