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3 Horas de Interlagos. Bike Series 2022 e como essa prova mexeu comigo

As 3 Horas de Interlagos marcou a 6º edição do Bike Series 2022. O icónico Autódromo de Interlagos foi o palco, e os ciclistas as maquinas que giraram movidas a emoção.

Para mim, devo acrescentar que fazia muito tempo mesmo que uma prova me trazia tanta ansiedade. Até pouco tempo antes da largada, ainda não entendia de onde vinha tamanha empolgação. Fazia uma vaga ideia, ora pensava que era por pedalar num local novo, com gente nova e por vezes pensava que tinha a ver com a competição pura e simplesmente.

bike series 2022 3 horas de interlagos
créditos: Fotop

Ando treinando um bocado para a Caminhos de Rosa, uma prova com 318km pelo deserto, em plena Caatinga mineira e onde vamos recriar os caminhos que inspiraram Guimarães Rosa a escrever sua obra. Apesar de serem treinos de resistência, ainda acho que sobrou um punch nas pernas pra encarar as 3 Horas de Interlagos sem fazer muito feio.

Sei que sou um mountain biker e um graveleiro raiz, mas a verdade é que pedalo aproximadamente 80% do tempo numa road bike. Treino cerca de 1.300km a 1.400km por mês, majoritariamente de road bike (speed), isso é fato.

Estou mencionando isso para começar a mergulhar vocês nessa história comigo, já que não seria a primeira vez que rodaria num pelote grande e, convenhamos. Ali na pista, ali no bolo, não faz muita diferença se um pelote é grande ou gigante. E sim, o superlativo se faz justificável, o pelote no Bike Series 2022 não é grande ou muito grande, ele é gigante. Foram mais de 1200 ciclistas alinhados.

Então, se nada disso era uma grande novidade, de onde vinha aquele arrepio e o frio na espinha? Fazia frio, ok, verdade. Mas não era só isso, e tudo ficou bem claro no momento em que depois da preleção do Décio Rodrigues – idealizador e organizador do Bike Series 2022– pudemos entrar na pista para umas voltas de reconhecimento.

3 Horas de Interlagos – Bike Series 2022

créditos: Fotop

Pois bem, nessa hora tudo ficou claro, a empolgação e a ansiedade eram causadas por esse desejo oculto, praticamente latente que todo brasileiro que assistia a Formula 1 deve ter.

Só ali, naquele instante foi que a ficha caiu, quando entrei na pista e captei com um olhar atento a sua amplitude. Grandiosidade, não nos damos conta disso. A reta dos boxes e a linha de chegada, tirei a luva e coloquei a mão no asfalto. Pronto, virei menino!

Poder girar por um dos mais representativos e icônicos autódromos do mundo e mais ainda, local por onde um dos nossos maiores e um dos últimos ídolos verdadeiros nos trouxe tanto orgulho e alegria. Sou um cara atento, e olhei para a cara das outras pessoas. Bocas abertas, foi fácil fazer a leitura labial – aquele palavrão que denota espanto, falado pausadamente… e na sequencia, um sorriso e o som do clip do pedal.

Será que a equipe envolvida, da mais singela função de um Staff até o topo da organização sabe realmente o que eles provocaram em nós?

Ainda me toca, escrevo agora e ainda me arrepio. Basicamente é isso que o Bike Series 2022 fez comigo, as 3 Horas de interlagos já está marcada em mim, bem mais do que eu imaginária.

Vídeo 1 – Bastidores e Reconhecimento da pista de Interlagos

Vídeo 2 – A prova! 3 Horas de Interlagos – Bike Series 2022

Passado o primeiro impacto, agora me preparava para a prova propriamente dita, né? Fiz tudo certinho, café da manhã sem nada de anormal, role de bike do hotel até o autódromo, sem atrasos ou contra tempos.

Cheguei bem cedo e aquilo já estava lotado, um formigueiro de ciclistas e de gente envolvida com o evento. A organização até onde eu sei foi impecável e na minha experiência tudo transcorreu muito bem.

De volta a pista, desta vez para a largada a emoção bateu novamente, só que agora mais controlada. Dada a largada, ainda demorei um tempo para conseguir clipar e realmente pedalar, tamanho era o pelote a minha frente.

Fiz uma boa prova, andei bem forte e terminei cansado. Detesto terminar a prova inteiro, sempre fico com a impressão de que não fiz tudo que poderia. Neste caso não, terminei acabado…

Não consegui achar uma “roda” boa para mim. Quando era boa na reta, era forte demais ou lenta demais na subida. E vice e versa, então, desencanei e sai pulando de pelote em pelote mesmo. Penso que foi uma boa estratégia.

Também foi muito bom ver o ritmo das pessoas, e confirmar que tem muita gente anônima forte por ai, existem caras andando muito mais que a gente. E não é pouco. Ao mesmo tempo, comparar o nosso ritmo com o “dos elites” é incrível, se souber fazer essa comparação de forma construtiva, vai perceber que ainda tem um universo para evoluir.

Foi demais pedalar ali, foi tão bom ao ponto de que não vou me ater a dados de performance ou estatísticas frias. Quero mesmo falar da emoção, da experiência e das lembranças deste evento.

Bike Series 2022, 3 Horas de Interlagos. Vou falar deste evento com carinho por muito tempo.

Edu Costa

Pai, Marido e Ciclista amador, praticante de MTB e Gravel que adora competições e procura novas rotas e aventuras com a bike. Acredita no poder transformador do esporte e por isso compartilha experiências e informações. Escreve sobre o ciclismo Road Bike e Mountain Bike desde 2009 em seu primeiro projeto e agora é o fundador e editor do Mountain Bike Brasil

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